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Discípulos do amor

Discípulos do amor

O tema do amor cristão parece um desafio com dois andares: o do relacionamento com Deus, em cima, e o da prática, relacionando com o próximo, no térreo.

No andar de cima, encontro o ensinamento de Jesus e de seus apóstolos, inspiradores e desafiadores. Nesse âmbito, ouço Jesus dizendo que seremos reconhecidos como seus discípulos se tivermos amor uns pelos outros (Jo 13.35); ouço Paulo orar por nós, para que, pela fé, tenhamos raízes e alicerces no amor (Ef 3.17); ou então João, a dizer que aquele que não ama não sabe nada de Deus (1 Jo 4).

No andar de baixo, encontro o desafio da prática desse mandamento de Jesus, acrescido do entendimento apostólico de que fazer discípulo significa também ensinar a amar (Mt 28.19). Nas palavras de René Padilha: “Efetivamente, a experiência do amor de Cristo, que segundo Paulo ‘excede todo entendimento’, só é possível ‘com todos os santos’. Só é possível na igreja, ‘a família de Deus’, onde os discípulos aprendem a amar.”

O discípulo de Cristo precisa saber o que seu mestre espera dele. Para isso, observa as palavras e atitudes do mestre. Considera o que os apóstolos ensinaram e como eles vivenciaram o ensino e o exemplo que Cristo lhes deu. Por outro lado, “o discípulo do amor” precisa manifestar em sua vida comunitária esse sinal, essa marca da nova vida que recebeu do Espírito Santo.

Eis o desafio dialético: Precisamos aprender e ensinar a amar – nos dois andares! Não basta abrir a bíblia e aprender sobre o amor. O ensino fica incompleto. É preciso coerência com o térreo, com a “relação com o próximo”: a prática correta; uma escala ligando os dois andares.

Surge, assim, a questão inevitável: como se aprende a amar? Minha resposta: no andar de cima, obedecendo; ou seja, sem considerar as emoções (se gosta ou não gosta). Apenas amando: abençoando, fazendo o bem, permitindo o bem, desejando o bem a amigos e a inimigos. Já no andar de baixo, aprende-se a amar sendo amado. Sim, é uma dimensão passiva da pedagogia divina. É aqui, me parece, que a experiência do amor de Cristo “excede todo entendimento”. É onde aprendo sobre a graça e o afeto, sobre a segurança que o amor de Deus traz, sobre a incrível sensação de ser amado, apesar de ser conhecido como realmente sou.

Que conflito! Meu maior sonho é ao mesmo tempo meu maior temos. Ser conhecido. Na transparência (que acontece da proximidade que permite a comunhão) posso encontrar descanso e paz. Entretanto, posso encontrar, também, rejeição. O temor é que, quando descobrirem meus defeitos, passem a me odiar.

Porém, Joao nos exorta a, pela fé, vencermos nossos medos e aprendermos, com sabedoria e oração, a “andar na luz”. As palavras que ele usa para “luz” são: verdade, confissão, perdão e purificação (1 Jo 1.1-10).


Talvez nos falte um pouco do andar de baixo.

(Inspirado em um texto da revista Ultimato, Junho, 2011)

Daniel Porto